quinta-feira, 27 de junho de 2019

Sobre a Alimentação


Nos últimos meses tenho tentado introduzir algumas melhorias na minha alimentação:

- Reduzir substancialmente o açúcar.
- Reduzir o sal.
- Evitar o uso de farinhas processadas.
- Substituir a carne e o peixe por leguminosas.

Para quem sempre adorou cozinhar e comer a nossa comidinha tradicional portuguesa, estas alterações não têm sido fáceis de implementar. Mas lemos tanta coisa sobre o malefício de alguns produtos para a saúde e sobre problemas ambientais, que simplesmente não posso ignorar.

Estas alterações têm sido muito graduais. Preciso de me adaptar a novos sabores e texturas e não consigo fazer isso de uma só vez. Tem de ser devagarinho.

Ontem experimentei uma receita que vi aqui. Trata-se de hambúrgueres de grão de bico. Adaptei a receita a gosto pessoal. Fiz assim:

INGREDIENTES:

- 1 lata de grão de bico cozido (eu compro as leguminosas a granel, demolho-as, cozo-as e depois congelo-as em tupperwares em pequenas doses; faço sempre assim mas para quem não fizer, pode comprar em lata)
- 1 ou 2 cenouras grandes raladas
- 1 ou 2 cebolas grandes picadas
(adaptei a meu gosto: a receita original tem apenas 1 cebola e 1 cenoura mas eu coloquei mais)
- sementes a gosto, qb (eu coloquei sementes de chia, mas podem ser qualquer uma)
- 4 colheres de sopa de farinha de aveia (eu nunca compro a farinha de aveia, tenho sempre flocos em casa e trituro-os na Bimby)
- 1 raminho de salsa (ou coentros)
- Azeite e pimenta a gosto
- 1 ovo

Triturar o grão de bico na Bimby e reservar.
Triturar os flocos de aveia na Bimby e reservar.
Picar a cebola e a cenoura na Bimby.
Colocar uma sertã ao lume com um fio de azeite. Refogar lá a cebola, a cenoura, as sementes, a salsa e os temperos. Deixar alourar bem.
Retirar da sertã e colocar num recipiente seco e deixar arrefecer.
Já frio, adicionar o grão de bico, a farinha de aveia e o ovo. Mexer bem e envolver a massa.
Fazer bolinhas e achatá-las bem, com forma de hambúrgueres. Levar à sertã com um fio de azeite.

Acompanhei com pepino e tomate cherry. Compro no Lidl, a 0,99€ cada embalagem. Gostava muito de plantar em vasos em ter em casa, quer os pepinos quer os tomates. Um dia, ainda vou experimentar.

Nós gostamos muito do resultado final. Os hambúrgueres ficaram muito saborosos.

Aos poucos, espero implementar uma forma diferente de nos alimentarmos cá em casa!








terça-feira, 25 de junho de 2019

Sobre o Minimalismo





Desde o final do ano passado que tenho vindo a adquirir novos hábitos de vida. Tudo começou quando fiquei desempregada. A pouca capacidade financeira que isso acarretou obrigou-me a fazer cortes em casa. Mas acima de tudo veio redefinir prioridades.

Passei a valorizar o facto de estar em casa e usufruir de mais tempo de qualidade com os meus. Aprendemos a viver com menos e ainda ser mais felizes por isso. Com menos coisas, e mais tempo juntos, éramos imensamente mais felizes.

Começamos então a cultivar o desapego e a fazer algumas mudanças. Aprendi a dizer que não, a livrar-me de compromissos que em nada me acrescentam e sobretudo que me retiram tempo de qualidade com os meus.

Voltei a encontrar um emprego entretanto. Mas fui muito seletiva: é relativamente perto de casa e permite-me ir a casa à hora de almoço. Faço assim as refeições com a família. Não é de grande exigência a nível de horários, o que me permite trabalhar por objetivos e não por “picar o ponto”. Mas é intelectualmente um desafio e estou muito agradada. Tive muita sorte. Mas também recusei muitas outras propostas cujo salário era bem melhor e muito mais compensador. Aqui ganho esmagadoramente menos mas sou muito mais feliz.

A ganhar menos vejo-me obrigada a fazer cortes: vou vender o meu carro e desloco-me em transporte público para o trabalho; baixei a potência do contador da luz; vou dispensar a senhora que faz limpeza em casa; compro muito menos coisas, apenas o essencial para a alimentação e limpeza. Estou à espera de que acabem os prazos de fidelização de alguns serviços para acabar com eles ou renegociar. Tenho menos roupa, menos acessórios, e penso duas ou três vezes antes de comprar seja o que for.

E tenho verificado que sou agora mais feliz do que antes, com mais tempo para a família, para escrever, para me dedicar a coisas que gosto.

Estou a tentar montar um pequeno serviço que me permita trabalhar a partir de casa. Espero com isso ter ainda mais qualidade de vida.

Outra das grandes mudanças tem sido em casa. Tenho me livrado de imensa coisa e tenho tentado mantê-la muito simples. Mais fácil de limpar, organizada, clean, apenas com o essencial. A casa é muito grande e tem imensa coisa e tem sido um processo gradual e lento. Mas aos poucos estou a conseguir.

O grande sonho era conseguir mudar-me para uma casa mais pequena e mais simples. Com poucas divisões, poucas distrações e apenas o essencial. Mas isso seria um passo muito arrojado e ainda não está num curto horizonte.

Não sei se isto é ser minimalista. Mas se o minimalismo é isto, aconselho vivamente! Menos é mais. Não tenho dúvida nenhuma.

domingo, 23 de junho de 2019

Sobre o São João




"São João no Porto
Oficialmente, trata-se de uma festividade católica na qual se celebra o nascimento de São João Batista. Contudo, a festa de S. João tem as suas origens, extremamente remotas, nos festejos do solstício de Verão e inicialmente tratava-se de uma festa pagã. As pessoas festejavam a fertilidade, associada à alegria das colheitas e à abundância, relacionada com o culto do fogo e do sol, da energia e da vida. Mais tarde, à semelhança do que sucedeu com o Carnaval e outras festas, a Igreja cristianizou esta festa pagã e atribui-lhe S. João como Padroeiro.
Nesta noite a cidade transforma-se, com as ruas cheias de gente, cores e alegria! Como manda a tradição, assam-se sardinhas em qualquer canto da cidade, a música vai alta e animação não falta!"
(vide "Alma at Porto")


Sempre gostei muito do São João. Desde pequena, que habitualmente a família se junta para assar as sardinhas e passar uma boa noite de convívio. Por vezes, recebemos amigos também. E regra geral é em minha casa.


Os homens assam as sardinhas e os pimentos. As mulheres cozem as batatas e fazem o caldo verde. Juntam-se duas ou três mesas no terraço, estende-se uma toalha colorida de plástico, vão buscar-se os bancos guardados na garagem, e, não raras vezes, ligam-se os holofotes que durante o resto do ano são esquecidos pelo terraço.

Quando eu era mais nova, e havia crianças, era habitual colocar bandeirinhas coloridas, manjericos distribuídos pelas escadas, e, o mais importante!, lançar balões! Depois, à medida que o tempo passou e fomos ficando todos adultos e mais velhotes, fomos perdendo muito desse espírito de festa. Mas continuamos a reunir-nos com a mesma vontade de outrora.

Desde pequena, que um vizinho nosso faz a cascata no terraço da sua casa. A montagem da cascata ocupa-lhe todo o mês anterior ao São João e chegou a ter mais de 500 peças! Quando éramos crianças acompanhávamos todo o processo com a devoção própria de quem aguarda o melhor brinquedo do mundo! O vizinho está agora velhinho e a cascata é menor. Mas continua a fazê-la e nós continuamos a ir vê-la todos os anos, elogiando-o por nunca ter desistido. Os filhos do meu vizinho não ligam nenhuma aquilo, mas nós vamos todos os anos ver, apreciar, fazer perguntas e dar-lhe valor, ao vizinho e à cascata.

Este ano, o nosso São João será mais pobre porque nos falta um. Mas vamos juntar-nos na mesma. Assar as sardinhas, conversar, quem sabe cantar "São João... Santo Bonito!", e esperar que daqui a um ano estejamos todos juntos novamente, sem nos faltar nenhum, a celebrar e a dar graças por tudo o que temos. Mesmo quando nos falta tanta coisa.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Sobre ter objetivos





Nos últimos tempos, tenho vindo a ser obrigada a refletir sobre os meus objetivos pessoais e profissionais. No início deste blogue, defini três objetivos primordiais e o ponto da situação é este:

- Tendo como prioridade a valorização da vida familiar mas também alguma estabilidade financeira, encontro-me a preparar a criação de um negócio. Já fiz o estudo de mercado e já tenho ideia de como vou começar. Quero, no entanto, passar tudo para o papel e planear de forma mais aprofundada todos os passos.

- Estou a escrever o livro que sempre tive vontade de escrever! Não tenho conseguido cumprir o objetivo de escrever um capítulo por dia mas até agora já consegui escrever dez capítulos. Estou satisfeita com o resultado.

- Criei este blogue e tenho vindo aqui com alguma regularidade. Estou muito contente por ter sempre comentários. Espero continuar a evoluir com este espaço, refletindo sobre a vida e os outros.

- Tenho também feito uma verdadeira revolução aqui em casa, no que diz respeito à organização e limpeza! Dizem que quem organiza a casa, organiza a vida. Posso dizer pela minha experiência que é verdade!

Obrigada por estarem aí!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Sobre o Trabalho




António Guterres saiu na capa da “Financial Times” com uma imagem absolutamente genial. Gosto muito de apreciar a criatividade e admiro muito pessoas criativas. E considero esta capa absorvente, interessante, Grande.
Mas considero mais genial ainda os motivos que levaram a “Financial Times” a fazer uma capa com António Guterres. Este tem se debatido incansavelmente por sensibilizar os diferentes países para os problemas das alterações climáticas. Não pode fazer muito mais. Um Secretário Geral das Nações Unidas não tem um papel executor mas sim um papel sensibilizador. E Guterres tem sido exímio na sensibilização de diferentes governantes para os efeitos das alterações climáticas a muito curto prazo.
A fotografia que ilustra a capa da “Time” foi tirada precisamente em Tuvalu, uma ilha do Pacífico que corre o sério risco de ficar submersa dada a subida diária das águas. Com a água do Pacífico pelos joelhos, e uma expressão séria, Guterres surge na posição de um vulgar cidadão daquele país que vê, diariamente, o mar cada vez mais perto de lhe entrar casa adentro.
António Guterres, cujo cargo lhe dá apenas um poder simbólico, não para. Fez dele a luta pelos imensos refugiados deste mundo, dando-lhes voz e visibilidade. E agora viaja para sítios recônditos do planeta, alertando para a urgência de se mudarem políticas e hábitos.
Admiro muito o seu trabalho e o facto de se destacar naquilo que faz. O trabalho enaltece uma pessoa, torna-se a sua medida e o seu peso, e usá-lo para fazer o bem e alertar consciências para se criar um mundo melhor, dignifica-nos.
Quando me perguntam se quero ser o Ronaldo do meu trabalho, eu respondo que não gosto de usar o futebol como medida de comparação para nada. Não. Eu quero ser o Guterres da minha área de trabalho (área da formação), quero dignificar os outros através do que faço. Quero criar Mudança para um mundo melhor. Só assim o trabalho faz sentido. Em função dos Outros.

domingo, 16 de junho de 2019

Sobre pequenas Bricolages


Tenho a Bimby já há alguns anos e utilizo-a com regularidade. Não a utilizo todos os dias, sou franca. Nem substitui os tachos e panelas habituais. É mais um complemento na minha cozinha do que uma ferramenta em si.

Quando a comprei fui muito influenciada por uma amiga que tinha uma e adorava. E como sempre gostamos de andar à volta da cozinha, fiquei com muita vontade de ter uma também.

Tem se revelado um utensílio muito importante e hoje já seria difícil para mim planear as refeições sem ela.

Comprei-a às prestações, a pagar 20 euros por mês, quer a versão antiga quer a nova, e não me arrependo nada. Vale cada cêntimo de investimento.

A razão pela qual não a utilizo mais vezes é porque de facto não cozinho assim tantas vezes. Aqui em casa somos só duas pessoas, só fazemos uma refeição por dia em casa (o jantar), e na maioria das vezes, quando cozinho, faço comida para dois ou mais dias.

Mas como gosto muito de ter a família reunida aqui em casa, é um excelente complemento para quando estamos todos.

Não sei se acontece o mesmo com outras pessoas que têm a Bimby, mas sempre que a colocava a funcionar (especialmente quando utilizava a varoma), a parede e os armários por cima do balcão onde ela está pousada, ficavam húmidos, ressoados e a pingar com o vapor.

Incomodava-me muito porque coloquei a cozinha nova há pouco tempo, e com muito esforço económico para o conseguir, e receava que o vapor nos armários os danificasse.

O balcão onde assenta a Bimby é mesmo pegado à placa do fogão. Comecei então a colocar a Bimby por cima da placa e a ligar o exaustor. Assim o vapor subia em direção ao exaustor. Mas incomodava-me estar sempre a pegar na Bimby e a deslocá-la em peso do balcão para a placa do fogão e vice-versa.

Então decidi fazer uma pequena bricolage que até ao momento tem resolvido o problema.

Comprei no Leroy Merlin uma tábua que pedi para cortarem à medida. Medi antes o perímetro da Bimby e acrescentei mais dois centímetros, um na vertical e outro na horizontal. No Leroy Merlin, vendem tábuas de madeira avulso, que depois nos cortam à medida que nós queremos. Foi só escolher a tábua e pedir para cortarem com as medidas da Bimby.

Também no Leroy Merlin, comprei quatro rodinhas muito pequenas, avulso, a 0,40€ cada uma. A tábua custou 1,75€. Por isso o investimento foi reduzido.

Já em casa, aparafusei as rodinhas na tábua, uma por cada esquina. Coloquei a tábua no balcão e a Bimby em cima. Agora sempre que preciso de ligar a Bimby e a colocar em cima da placa do fogão, para ficar debaixo do exaustor, é só rodar a tábua do balcão para a placa do fogão. Já não preciso de pegar na Bimby em peso. Para mim é mais fácil, mas penso que também é a melhor solução para a máquina porque está mais estável e não oscila tanto.






Gosto muito destas pequenas bricolages que nos auxiliam no dia-a-dia. Coisas simples mas úteis e que ajudam a tornar os dias mais fáceis.



segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sobre o Sucesso




Para mim o sucesso é:

- Passar tempo com os meus. Todo o tempo possível. Nunca é suficiente.

- Passar tempo sozinha. Ouvir-me. Ouvir o meu corpo. Reconhecer sentimentos. Entendê-los. Superá-los.

- Aprender a gostar de mim e a não desistir de mim. Por nada nem por ninguém.

- Ler os meus livros em silêncio.

- Chegar a casa, no fim de um dia de trabalho.

- Não fumar, não beber, deitar cedo e levantar cedo, não seguir o padrão dos outros.

- Vencer um medo todos os dias. E vencer o maior medo de todos a cada segundo.

- Apreciar um dia de Sol.