segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Sobre a vida...



Tenho uma amiga que me diz muitas vezes que espera sempre o pior das coisas. Conta sempre que o inesperado traga coisas más porque dessa forma sofre menos. Se, de facto, não acontecer o que quer, já está preparada para isso. E, se acontecer, tem uma surpresa feliz porque não elevou as suas expectativas. Comigo acontece o contrário. Penso sempre primeiro no melhor. Idealizo a melhor das histórias, as mais risonhas, as mais felizes. Invento toda a minha vida através delas. E sabem uma coisa? Às vezes, elas realizam-se mesmo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Histórias à Sexta!


Clara gosta das coisas certinhas. Aprendeu a guardar tudo no devido lugar, a vestir corretamente, a levantar e a deitar a horas certas, a cozinhar as mesmas comidas que a mãe cozinha, a arrumar no sítio o que utiliza, a seguir as regras. Faz tudo como deve ser desde que nasceu. Chora pouco para não incomodar e ri ainda menos para não perturbar. Fala baixo para ser educada, respeita os pais, ama o marido, vai à missa. É por isso que agora não sabe o que fazer. Isto não estava planeado, ninguém lhe disse que seria assim. Que havia de chegar uma altura em que não conseguiria ser disciplinada, em que as coisas fugiriam ao seu controlo, em que ela própria já não se controlaria a si mesma, aos seus afectos, às suas acções! Aconteceu tudo muito de repente, vinha do hipermercado onde vai religiosamente todas as sextas-feiras, e enquanto procurava o seu carro no parque de estacionamento, chocou contra um homem. Quando ergueu a cabeça, viu Agostinho, e reconheceu-o logo, apesar de não o ver há mais de vinte anos. Recorda com nostalgia os tempos da juventude em que ela e Agostinho se conheceram e namoraram alguns meses.
Foi sempre Clara quem gostou de Agostinho e não o contrário. Clara sabe-o bem. Era a ela que competia amar enquanto Agostinho se dedicava aos estudos, lendo muito, escrevendo mais, sendo o melhor. Até que os pais de Clara se cansaram da subserviência de Clara para com o namorado e entenderam que a filha merecia mais. E proibiram a filha de manter esse relacionamento. Apesar de ter sofrido, Clara acatou. Até porque Agostinho não lhe pareceu nunca afetado com a separação, quase como se nem desse por ela, perdido nas suas teses de investigação, nas aulas, nos livros. Claro que sentiu falta da comida a horas certas, da roupa lavada e passada a ferro e guardada nos armários, e não podia negar, Clara traduzia-lhe os textos em francês e isso constituía uma ajuda preciosa. Mas paciência, não podia agora deixar-se consumir por uma separação, havia a tese para acabar e as aulas para preparar, não podia ser egoísta, tinha os seus alunos. Assim o tempo foi passando e Clara casou com outra pessoa, terminou a licenciatura em Letras, arranjou emprego, vivia a sua vida serena até àquele encontro no supermercado. Mas o que mais a aborrecia era que Agostinho não a tinha reconhecido! Murmurara um pedido de desculpas e seguira em frente pelo estacionamento fora, absorvido nos seus próprios pensamentos. Clara ficou agastada. Desesperada até. Passou a rever constantemente na sua cabeça esse encontro fugaz, imaginando coisas, retirando ilações onde elas não existiam, até aquilo se tornar uma obsessão. Deixou de comer, sofria de insónias que não mais acabavam, e decidiu agir. Começou por ir ao Facebook e ao Instagram procurar Agostinho. Sabia que ele não era muito dado às novas tecnologias, mas acabou por descobrir que se havia mudado para outra casa, num outro conselho, mas no mesmo distrito. Descobriu igualmente que ele tinha terminado a tese de doutoramento e era agora professor catedrático. Traçou então um plano e seguiu-o à risca: vigiou todos os passos de Agostinho, indo até à porta de casa dele e observando as suas rotinas e trajetos. Ficou a saber que se levantava cedo porque abria a persiana do apartamento por volta das oito horas, às oito e meia saía no seu Seat Ibiza, e às nove chegava à faculdade. Clara consultou os horários de Agostinho na Faculdade, fazendo-se passar por uma aluna. Conheceu alguns dos seus colegas e dos seus alunos, ficando a saber inclusive qual era o seu gabinete. Clara vigiava a hora de almoço de Agostinho na cantina da faculdade, sempre entre as 13h e as 14h, de segunda a sexta feira. Almoçava entre alunos, bem-disposto e falador, e conversava sobre assuntos da atualidade. Clara sabia que ele almoçava bacalhau com natas à segunda e terminava com rolo de carne à sexta. Clara sabia tudo.
Os fins-de-semana de Agostinho eram passados em casa de uma namorada dele. Agostinho apanhava o comboio todas os sábados às oito e quarenta e cinco da manhã. O trajeto demorava cerca de trinta minutos. Chegado ao seu destino, a namorada, que Clara descobriu que se chamava Laura, esperava-o no seu carro. Davam um beijo apaixonado, trocavam algumas palavras, e depois seguiam para casa dela. Quase nunca saíam de casa ao fim-de-semana embora recebessem alguns amigos (que Clara investigou a fundo). No domingo à noite, Laura deixava Agostinho na estação às seis e um quarto, ele apanhava o comboio às seis e vinte e cinco. Cerca de quarenta e cinco minutos depois já estava em casa, de onde só sairia na manhã do dia seguinte para ir para a faculdade. Clara tudo investigou e de tudo ficou a saber sem grande dificuldade. A vida de Agostinho era tão previsível e monótona quanto a sua e ela não teve dificuldade em adivinhar-lhe os passos. Mas o que lhe custava era saber que ele havia seguido sem ela sem qualquer pesar. Não sofrera com a separação, não lhe deixara qualquer lembrança significativa. Mas pior ainda: parecia gostar efetivamente de Laura, ao ponto de sacrificar os seus fins-de-semana de estudo para se deslocar a casa dela! Ele, que nunca sacrificara nada por Clara! E era ele quem ia sempre ter com Laura, nunca o contrário! Sim, decididamente Laura era importante para Agostinho, como Clara nunca havia sido.
Então, num sábado de manhã, enquanto Agostinho aguardava a chegada do comboio na estação, Clara aproximou-se dele. Chamou-o e ele olhou distraído, fez um breve ar de reconhecimento. Um comboio aproximava-se da estação, era um que não fazia ali paragem, Clara sabia de cor, este seguia sempre a alta velocidade, imediatamente antes daquele que conduziria Agostinho ao seu destino. Foi então que Clara teve a sua mais brilhante ideia e sorriu para Agostinho satisfeita. Ele retribui o sorriso, um pouco acanhado e ainda sem perceber muito bem o que estava a acontecer. E, num breve segundo, enquanto o comboio se aproxima a alta velocidade, Clara enche-se de força, e empurra Agostinho para a linha, diretamente para debaixo do comboio. Sim, pensa ela num milésimo de segundo, e depois do comboio passar por cima de Agostinho, tivera uma excelente ideia!

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sobre o que já aprendi...




Alguns ensinamentos que a vida me trouxe:

- Nunca nada corre como o planeado. Apesar das listas que organizam a nossa vida, dos cadernos com que vamos apontando tudo, dos objetivos e metas traçadas, a vida prega-nos partidas. Com o tempo tenho vindo a treinar a minha resistência aos imprevistos. Já sei reconhecer as minhas emoções apenas em segundos para as utilizar conforme a necessidade. Esta é a regra principal para viver: reconhecer aquilo que sentimos, dar-lhe forma, conteúdo e usá-lo de maneira a não nos magoarmos muito.

- A grandeza da nossa existência consiste na nossa capacidade de nos levantarmos sempre que caímos. Não em nunca cair, porque caímos sempre. Sempre. E nunca nada é eterno e imutável. Nada pode ser dado como garantido e certo. Temos de estar preparados para as vicissitudes da vida.

- Por mais escolhas que pensamos que estamos a fazer, é a vida que escolhe por nós. Pouco decidimos na vida. É ela quem manda. A única coisa que nos compete a nós é saber aceitar e perseverar. E ultrapassar e continuar em frente.

- Que a vida é muito semelhante aos organismos que nos envolvem e que tudo o que semeamos, colhemos. Que existe a lei do retorno e que tudo o que fazemos ou desejamos aos outros, nos é devolvido a triplicar. Que um pequeno vaso com tomates só cresce se o regarmos e que para tudo na vida há uma solução.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Sobre os meus Avós...







Os meus avós maternos são primos direitos. O pai da minha avó era irmão da mãe do meu avô. Uma quase promiscuidade que nunca nos afligiu muito, nem aos próprios e muito menos aos seus descendentes. Na brincadeira, os netos costumam dizer que os pais são como são (tolinhos da cabeça, entenda-se) porque os seus próprios pais misturaram sangues. Mas não passa disso: de uma brincadeira. A minha avó costumava contar que para casarem tiveram de pedir uma licença especial ao bispo do Porto. Licença que aquele concedeu. E pronto. Casaram-se, tiveram cinco filhos, o meu avô imigrou sete anos para Angola, morreram dois dos cinco filhos, os três restantes cresceram e casaram, nasceram quatro netos. O meu avô partiu em 2005, velhinho e doente e deixou um vazio enorme. Sonho com ele quase todas as noites. Vem puxar-me o cobertor á cama, fazer-me uma festa, dar-me um beijo e dizer-me para tomar conta de todos. A minha avó partiu em 2015 e foi sempre o nosso centro, o nosso pilar, o nosso mundo. Gosto de imaginar os meus avós nos campos verdejantes do céu, de olhar sereno e pacífico, corados de um sol quente, bem-dispostos numa existência sem sobressaltos. De alguma forma, sinto que tomam conta de nós, que nos vão mandando sinais sobre a vida e a morte, sobre o que devemos fazer ou pensar ou sentir. Depois do meu avô partir, acreditei sempre que, mesmo lá de cima, ele velava pela sua companheira de quase setenta anos, e lhe ia afagando a mão e cantando uma música ao ouvido. Só assim se explicava que a minha avó vivesse num mundo só dela, absorta da vida real á sua volta, sem conhecer as pessoas que a rodeavam, precisando de ajuda para comer, se levantar ou deitar. Sentada no sofá, onde passou a maioria dos seus últimos dias, vivia num mundo onde não entrava mais ninguém, perdida nas recordações do passado, na beleza e no amor da juventude, nas alegrias da maternidade, na dureza do trabalho, na serenidade da velhice. Sentimos a sua partida um bocadinho todos os dias, com ela despedindo-se com vagar para observar bem tudo pela última vez, sem pressas, sem complicações, sem culpas, sem ansiedades. Mentiria se dissesse que não custou vê-la partir mas é também verdade que sossega saber que está aconchegada no céu, protegida, amada, feliz, junto do seu companheiro.
Falo sempre dos meus avós no presente porque os sinto ao pé de mim de forma tão real e certa, que é como se eles aqui estivessem, junto de mim.
Depois de partirem, acabei por herdar um pequeno pedaço de terra que, apesar de não servir para nada (é pequeno demais para construção e longe de tudo para cultivo), me obrigará sempre a não me esquecer destes avós que me criaram e que com o seu exemplo, afeto e força, me ensinaram a distinguir, sem maniqueísmos, o bem do mal, o certo do errado, a serenidade da fé contra a arrogância do nada, o prático e simples do complexo e arrojado, a força imensurável do amor contra a avassaladora solidão do desamor. Ensinaram-me coisas mais práticas também, como as regras do cultivo, o segredo de uma boa aletria, a poupar para dias invernosos. Com eles aprendi quase tudo o que sei da vida, bem-ditos sejam!


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Histórias à Sexta!


Tia Aninhas do Patim teve uma vida longa e preenchida. Perdeu a conta ao número de crianças que ajudou a trazer ao mundo, não atendendo a horas, linhagem familiar, dificuldade de saúde. Trabalhava incansavelmente no campo, criava cinco filhos sozinha e, sempre que era preciso, acudia as parturientes da aldeia. Era parteira local desde que se entendia por gente e sabia que não era um trabalho fácil. Obrigava a deixar a casa e os seus fosse a que horas fosse, a embrenhar-se no meio dos matos, até chegar às localizações mais recônditas onde a sua presença era exigida. Mesmo assim, o dinheiro não abonava. Criava sozinha cinco filhos após a morte prematura do marido e, embora nunca tivesse faltado pão e caldo, o resto minguava tudo. Os socos, seus e dos filhos, único calçado usado na altura, era gasto até à exaustão. E mesmo assim, depois de muito gasto, as solas eram coladas ainda outra vez com tachas e pregos, porque ainda deveriam durar mais um “ror” de tempo.
Certa vez, Ana foi chamada a Aregos para trazer ao mundo o terceiro filho de uma família fidalga. Era madrugada, um vento gelado, e Ana cortava caminho através do mato. Pelo caminho era usual ouvir os lobos a rondar, Ana estava acostumada, mas, desta vez, rondavam de mais perto, conseguia ouvi-los a arfar, conseguia sentir o seu cheiro. Tirou os socos e começou a bater com eles, um no outro,  para que os pregos e as tachas, ao bater, fizessem faísca, e assim os lobos se afastassem. E assim seguiu caminho, descalça, passo veloz porque as crianças não esperavam à mercê dos temperamentos dos lobos, e a fazer faísca com os socos, aterrada de medo, mas coração adiante, em frente, que a vida não era para temerosos. Assim seguiu Ana até à Casa de Aregos.
Adelaide nasceu cerca das três e vinte e cinco da madrugada, forte, gorducha e com um choro determinado que revelaria a sua disciplina e imposição ao longo dos seus anos de vida. Ana do Patim cortou o cordão umbilical, empurrou a placenta para o interior das entranhas da mãe da criança, e depois, com cuidado, observou Adelaide: tinha os dedos todos, dos pés e das mãos, era perfeitinha nos membros, os pulmões funcionavam bem. Lavou-a em água morna, retirando-lhe todos os vestígios de sangue e placenta e depois vestiu-a com a roupa que as criadas da casa já tinham preparado e posto de lado. Por fim, entregou a menina à mãe.
Já eram cerca das quatro e meia da manhã, e Ana preparava-se para regressar a casa. O pai da criança despediu-se da parteira prometendo que lhe faria chegar o pagamento no dia seguinte. Ana despediu-se com um beijo leve na testa do bebé, como era seu hábito. Gostava de todos os meninos e meninas que trazia ao mundo, ficavam-lhe na memória e na pele o cheiro de cada um deles, o toque suave, o choro desenfreado. Não sabia ao certo quantos bebés já tinha trazido ao mundo mas sabia que eram muitos e recordava-se do beicinho de todos. Ana adorava bebés e crianças. Por ela, não fazia outra coisa na vida, senão ajudar a trazer crianças ao mundo e a criá-las. Mas os tempos eram duros e não podia viver disso apenas. Por isso fazia de tudo um pouco, trabalhava os campos que herdara dos pais e vendia na feira os legumes e a fruta que de lá retirava; fazia pão e vendia na feira também; criava galinhas, patos e porcos que serviam para consumo da casa e também para vender aos fidalgos na feira. Trabalhava muito e não negava nenhum serviço. Era preciso alimentar os seus cinco filhos, vesti-los e calçá-los. Ana adorava os filhos e via em cada bebé que ajudava a trazer ao mundo um bocadinho dos seus próprios filhos.
Feitas as despedidas da Casa de Aregos, tarde da madrugada, tia Aninhas fez-se ao caminho de regresso a casa. Descalçou os socos, tal como havia feito na viagem inicial, e iniciou a marcha, batendo com força os socos um no outro, até fazer faísca. Esperava assim afastar os lobos que vagueavam perto, à espreita. Tia Aninhas gostava de viver no lugar do Patim, era seguro e mantinha relações de vizinhança fortes e recíprocas. Assim ficava descansada, quando tinha de deixar os filhos sozinhos à noite, para ir fazer nascer um bebé. Naquela noite estava particularmente ansiosa para chegar a casa, deixara a filha Rita doente, prostrada na cama com uns pachos frios na testa, e queria ver como ela estava. Por breves segundos, sentiu medo dos lobos, quando o barulho destes pareceu mais grave e mais perto. Acelerou o passo e aumentou a força com que batia os socos um no outro. Estava uma noite fria para maio e Ana pediu a Nosso Senhor que a ajudasse a chegar sã e salva a casa. Pensou no marido que já partira e da falta que este lhe fazia, da sua presença forte e séria. Afastou os pensamentos, tinha de ser prática e chegar a casa o mais depressa possível. Estugou o passo e ao fim de uns quinze minutos avistou o Patim e a sua casa. Agradeceu ao anjo da guarda tê-la ajudado na viagem e a tê-la ajudado a participar em mais um milagre da vida.
Entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Calçou os socos, aconchegou o casaco e dirigiu-se à cama de Rita. Tinha sido um dia bom.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Sobre a Liberdade...




Sabem quando sentimos que temos de fazer uma escolha que sabemos difícil? E quando sabemos que do resultado dessa escolha surgirá todo o nosso futuro? Hoje sinto-me assim: posso optar pelo caminho mais fácil, menos doloroso, mais seguro. Sinto-me atraída por esse caminho. Mas será ele o melhor? Às vezes temos de seguir o caminho menos conhecido, mais longo e decididamente mais difícil, porque é ele que nos coloca os desafios mais importantes. E os desafios trazem mudança, evolução, crescimento. É como para uma criança ter de escolher entre estudar para um teste ou ir para a praia. Na primeira hipótese, sabemos que se estudar, passa no teste, passa de ano e, seguindo este caminho, conquista uma profissão. É o caminho mais seguro, aprovado pelos outros, é aquilo que se espera que as crianças façam. No segundo caso, sabemos que provavelmente não haverá uma boa nota no teste mas em compensação, a criança pode descobrir milhares de coisas novas. Pode sentir o sol penetrar na pele, deixar-se levar pela brisa junto ao mar, pode correr pelas dunas, brincar com as ondas. E, no entanto, é o caminho que ninguém espera que ela siga, que reprovam até. Imaginem o que seria para as crianças em geral, dizerem aos pais que em vez de estudarem para o teste do dia seguinte vão para a praia!
 Claro que não se pode deixar de estudar para os testes mas, de vez em quando, se decidirmos fazer uma coisa diferente, nova, difícil até, crescemos mais e descobrimos que podemos construir um percurso. Um trajeto que nem sempre os outros aceitarão, aos quais poderão colocar entraves até, mas é o nosso trilho. Vamos aprendendo a enfrentar os desafios, a sofrer com eles, a chorar até ao desespero, mas depois saímos mais fortes porque descobrimos coisas novas em nós, que somos capazes de dizer "sim" quando todos dizem "não", que conseguimos dizer "posso fazer isto" mesmo quando o "isto" é terrivelmente difícil, e que ninguém nos consegue prender, bloquear, constranger porque somos totalmente livres.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Sobre as coisas que eu gosto...


Gosto de coisas simples.

De pessoas simples.

Gosto de liberdade, para ser aquilo que sou, para poder escutar o Outro, para me libertar de quem não interessa.

Gosto de pessoas com coragem, livres de preconceitos, medos paralisadores, ou amarras.

Gosto de quem arrisca e de quem ousa, mesmo que tudo indique que a ousadia é imprópria para cardíacos.

Gosto de quem partilha afetos, abraça, beija, toca. Gosto de quem é afetuoso e não tem medo de se expressar com amor, pela vida, pelos outros, pela natureza.

Gosto de quem gosta dos animais, de quem os trata como a um familiar, os cuida e ama.

Gosto de quem sabe dar uma boa gargalhada, de quem se ri de si próprio e não leva nada muito a sério, nem a si nem aos outros, porque afinal somos todos tão efémeros que não deve haver lugares para mágoas e rancores.

Gosto de histórias, reais e fictícias, que treinam a mente e nos permitem viajar por pensamentos, personagens e situações.

Gosto de paz, de quem apela à paz, de quem pratica a paz, de quem vive em paz.

Gosto de tudo e de todos que praticam o Bem num universo onde sobressai o Mal.