segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Acreditar




Quero muito acreditar que ainda existem pessoas boas. Daquelas almas genuínas e fortes, que se preocupam com os outros de forma sincera, que valorizam mais a palavra dada do que o papel assinado, para quem a honra é mais preciosa do que o dinheiro e o poder.

Quero muito acreditar que ainda existem pessoas que não se deixam influenciar pelas intrigas nem as estimulam. Que quando lhes falam de alguém, tapam os ouvidos com as duas mãos e não permitem, que nada nem ninguém, lhes manche o coração.

Quero muito acreditar que ainda existem pessoas que se envergonham quando um filho responde torto a um adulto, e que o obrigam a pedir desculpa, e a compensar os estragos. Mas que simultaneamente lhe dão um abraço e lhe dizem que gostam muito dele, e que por causa disso, nunca vão permitir que ele faça simplesmente o que quer, sem se preocupar com a liberdade dos outros.

Quero muito acreditar que ainda existem pessoas que honram compromissos, que assumem responsabilidades, e que lutam todos os dias, com afinco e interesse, para evoluírem e se tornarem melhores. Não para terem mais poder ou mais dinheiro. Mas para serem mais calmas, terem mais paciência para os outros, saberem deixar uma palavra de conforto, conhecerem-se melhor para melhor conhecerem o Outro.

Quero muito acreditar que as pessoas não são tentáculos, com um braço em cada esquina, em cada grupo, em cada pessoa, para melhor se movimentarem em todos os meios e ganharem todos os proveitos de todos os lados, sem olharem a nada ou a ninguém.

Quero muito acreditar que vou conseguir perdoar a quem tanto mal me fez de forma absolutamente gratuita, apenas porque sim, porque lhe sabe bem e se sente feliz em praticar o mal.

Quero muito acreditar que sou forte e que a minha fé nos Outros não precisa de desculpas para existir, é corajosa o suficiente para vencer por si mesma.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Histórias à Sexta!

Armamar – Lamego, 10 de março de 1955

Muitos anos passados e quase uma vida inteira vivida, e Manuel lembraria para sempre este dia. Quando tudo mudou. Quando se tornou perfeitamente autónomo e aprendeu a viver sozinho, de acordo com as suas decisões e os seus comportamentos e a sofrer as respetivas consequências. Quando deixou de ter orientação, conforto e amor. Quando deixaram de lhe ensinar a vida, a distinguir o certo do errado, o bem do mal, a paz do desassossego, quando deixou de ter quem lhe orientasse o caminho, não vás por aí, segue mais por este lado, e agora que caíste, eu estou aqui para te levantar, enxugar as lágrimas, dar um abraço apertado, e depois um empurrãozinho para seguires em frente mais forte e mais sábio.

Aquele dia amanhecera frio e corria um vento gelado e forte que parecia levar todos pelo ar. As portas da casa encontravam-se abertas e a lareira apagada. O pai encontrava-se sentado a um canto da sala e cobria a cara com as duas mãos. Não fazia nenhum movimento e parecia que não estava ali naquela casa, apesar de o verem fisicamente.

A avó paterna andava de um lado para o outro após ter entregue Luisinha aos cuidados de uma filha. O padre Vaz havia saído à pouco e levara com ele a mãe, embrulhada nuns lençóis brancos reunidos à pressa, e carregada ao colo por alguns paroquianos.

Manuel encontrava-se sentado no chão da cozinha sem compreender muito bem o que se passara. Sabia que a mãe, cedo nesse dia, tinha ido para o quarto ter o irmão. Tinha vindo a parteira e a avó ajudar. Passado algum tempo, ouvira a mãe chorar e depois a avó e a parteira saíam e entravam do quarto sem parar, ora com baldes de água ora com panos sujos de sangue. A meio da manhã, chegou o padre Vaz e entrou no quarto também. Ficou lá muito tempo.

Luisinha adormecera entretanto no chão do quarto que partilhava com os irmãos, e Dália aninhara-se junto de Manuel, procurando proteção. Ambos sabiam que acontecera algo de terrível à mãe e ao irmão mas não compreendiam bem o que poderia ter sido. O pai apareceu ao final da manhã, suado do trabalho no campo, e não lhes prestou atenção. Dirigiu-se ao quarto e por lá ficou tanto tempo que os filhos acabaram por adormecer abraçados, chorosos e com fome.

Quando acordaram, uns vizinhos levavam o corpo da mãe embrulhado num lençol para fora da casa. O padre Vaz ia com eles e dizia à avó que daqui a uma hora mais ou menos poderiam ir à igreja que estaria tudo pronto. A avó tinha os olhos inchados de lágrimas e segurava Luisinha no colo entregando-a depois à filha, que saiu também da casa. O pai estava já sentado num canto da sala sem se mexer.

Estava escuro e frio e Manuel e Dália permaneceram abraçados e calados. Manuel sabia, com toda a certeza do seu coração, que nunca mais veria a mãe. Sentia um aperto no peito, fundo e torturante, que lhe cortava o ar. Primeiro pensou que estaria a morrer, tal o aperto o sufocava e lhe retirava o ar. O coração saía-lhe do peito com pancadas vigorosas e persistentes e Manuel aninhou-se ainda mais, aconchegado à irmã. Que seria agora dele sem a mãe? Quem o amaria acima de tudo e de todos? Quem lhe beijaria a testa e lhe cantaria canções ternas e de amor? Em quem confiar? A quem recorrer? A quem amar?

Nos seus oito anos de vida, a mãe tinha sido o seu mundo inteiro, o seu amor, o seu anjo da guarda e protetor, a sua fada mágica, a sua vida, o seu ar. Tudo girava à volta da mãe, dos seus sorrisos e da sua voz, do seu cheiro, dos seus afagos. Manuel sabia que cresceria sempre com afeto e com companhia, que teria sempre um porto seguro e umas asas robustas e perfeitas que o abraçariam sempre, fosse porque circunstância fosse.

Agora todo o seu mundo tinha sido destruído e Manuel encontrava-se totalmente sozinho. E a solidão marcaria sempre a sua vida, as suas decisões, os seus afetos, a sua consciência. Manuel não mais voltou a encontrar um abrigo como o da mãe ou um amor tão completo e vivo como o que partilhava com Maria Clara.

O primo mais velho apareceu junto deles e explicou-lhes que a mãe e o irmão haviam falecido, ido para junto de Jesus, que estavam bem e felizes no céu e que de lá tomariam sempre conta deles. Dália chorava junto ao primo porque não percebia muito bem o que era o céu e porque tinha ido a mãe para lá. Mas Manuel tornou-se adulto nesse dia e compreendeu que a solidão é a espada mais voraz e terrível de todas. Compreendeu que nada é eterno, que o que temos hoje nos é tirado repentinamente amanhã, e que não podemos contar com ninguém, principalmente com esse Deus de que o padre Vaz fala, porque esse abandona-nos quando menos esperamos.

Manuel não se lembra de muito mais coisas desse dia. Para ele, tudo é uma névoa espessa e cinzenta. Tem uma ideia vaga de que a avó o obrigou a comer uma sopa e que não viu mais Luisinha até ao dia seguinte. Lembra-se da mão pequenina de Dália agarrada à sua com força. Recorda a igreja escura e fria onde se encontrava o corpo da mãe a velar mas não se lembra de o ter visto ou de se ter despedido. Recorda sobretudo de como se sentiu sozinho e indefeso. Não se lembra do pai. Não se lembra do primo. Não tinha ninguém.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

The Rookie e os Sem Abrigo



Gosto muito de séries de televisão e vou seguindo algumas, com mais ou menos frequência. Agora não vejo tantas como gostaria. Mas houve épocas em que seguia várias em simultâneo.

Um destes dias, estava a fazer zapping, e encontrei uma série nova (nova pelo menos para mim) no AXN. Prendeu-me a atenção por ser com o ator Nathan Fillion. É o mesmo ator da série Castle que eu segui religiosamente no passado, e do qual não ouvira falar desde então. Fiquei então por ali a ver o episódio atentamente.

A série não me pareceu nada de especial. Trata-se de um homem com uma crise de meia idade que decide, já tardiamente, ingressar na polícia, em busca de adrenalina e de uma juventude perdida. Depois o episódio anda ali em volta das aventuras e desventuras dos polícias, numa esquadra de Los Angeles.

Até aqui tudo bem. Mas, a páginas tantas, dois polícias são chamados a um Centro de Apoio a sem Abrigos, devido a um tumulto. Quando lá chegam, encontram uma rapariga jovem, não mais que dezanove ou vinte anos, e o seu filho de três anos, que, desesperadamente, tentam que o Centro os acolha naquela noite. Alegam que na rua está frio e que é perigoso, e que não têm para onde ir. A responsável do Centro diz que não os pode receber porque o Centro está repleto e não têm espaço.

Os polícias, sensibilizados, procuram ligar para todos os Centros de Acolhimento de Sem Abrigos da cidade (Los Angeles), na esperança de conseguirem lugar para mãe e filho. Passadas algumas horas, e sem terem conseguido vaga para aquela família, desistem, e mãe e filho, ficam na rua, durante uma noite fria de Inverno, entregues a si próprios.

A cena é tratada com alguma ligeireza até. Como se fosse algo natural. Um dos polícias diz mesmo que há sessenta mil sem abrigos na cidade, e que não podem acudir a todos.

Quanto a mim, impressionou-me muito. Não que fosse uma realidade nova para mim. Sendo da área social, conheci muitos sem abrigo da cidade do Porto e conheço bem o problema.

O que me choca é a naturalidade com que olhamos para o problema. E choca-me que os sucessivos governos de todo o mundo, estejam preocupados com o investimento em tecnologia (telemóveis, robots, inteligência artificial), e as pessoas sejam deixadas entregues a si próprias, sem que ninguém tenha vontade de investir nelas.

Choca-me que a Síria esteja em guerra há sete anos e nós olhemos para isso como algo já natural, e que os governos se juntem para comemorar os cem anos do fim da I Guerra Mundial, mas depois fechem os olhos a todas as guerras e conflitos que ainda existem atualmente no mundo, tão ou mais graves que os de antigamente.

Choca-me a total falta de empatia dos tempos que correm. E o meu coração aperta com o sofrimento de todos aqueles que são vítimas de sociedades hipócritas e desumanas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Balanço do mês de novembro e objetivos para dezembro!




No início de novembro, coloquei aqui no blogue alguns objetivos para cumprir (ou tentar cumprir) durante o mês. Cumpri quase tudo a que me propus e ainda consegui mais algumas conquistas, das quais espero colher frutos durante o mês de dezembro.

Os objetivos de novembro foram:

- Terminar de ler o livro “Pais sem Pressas” de Pedro Strecht – objetivo cumprido!

- Iniciar a leitura de “Flor de Lótus” do José Rodrigues dos Santos – Iniciei e já vou a meio; gostava de já o ter terminado porque estou simplesmente a adorar, e prende imenso, mas o tempo para ler tem sido escasso.

- Não comprar nenhum livro – objetivo cumprido! (houve muitas tentações mas mantive-me firme!).

- Inscrever-me numa formação (Mestrado ou curso de Inglês) – objetivo cumprido! – desisti do Mestrado mas estou a fazer a formação de inglês e estou a adorar.

- Pesquisar informações sobre detergentes e produtos de higiene caseiros e sem químicos – objetivo apenas parcialmente cumprido, fiz pasta dos dentes caseira mas ainda a estou a testar.

- Pesquisar receitas sem lactose e sem glúten. – objetivo não comprido, apenas passei a utilizar o leite sem lactose e comprei farinhas sem glúten mas ainda não pesquisei como utilizar.

- Escrever mais “Histórias à Sexta” – objetivo comprido!

Penso que, em jeito de balanço final, o mês correu bem e consegui cumprir quase todos os objetivos a que me propus.

Pelo meio do mês, refleti bastante também sobre a minha vida profissional e, como partilhei aqui, decidi mudar de área profissional. Deixar a área social, que é a minha área de formação, e tentar investir na área de secretariado, assessoria, administrativa. Comecei então a enviar currículos nesta vertente. Investi bastante nas respostas a anúncios e no envio de candidaturas espontâneas.

Como sabem, estou desempregada, e tive mais tempo para me dedicar a essa busca. E, inesperadamente, no início da semana passada, chamaram-me de um escritório. Fui a algumas entrevistas, fiz alguns testes, e, aparentemente, gostaram de mim. Vou assinar contrato por seis meses, a partir de hoje, para ver como corre. Decidi suspender o subsídio de desemprego por este período de tempo. Andei um pouco mais afastada da blogosfera na semana passada, precisamente porque andei em entrevistas e a preparar-me para este novo emprego.

Daí que os objetivos para o mês de dezembro, vão ser muito direcionados para este novo investimento profissional. Vai ser um reajustamento de rotinas familiares e pessoais, de forma a conseguir responder às solicitações profissionais.

A grande palavra de dezembro é organização.

Organizar o tempo para conciliar o novo trabalho (no qual quero entrar de cabeça) com os afazeres familiares (tempo dedicado à família para mim é primordial), com o blogue e a escrita, com os estudos (quero continuar com o curso de Inglês), e com os momentos de lazer (séries e leitura).


Vamos lá entrar em dezembro com muita dedicação! E não perder a fé, nunca, por nada nem por ninguém! 






quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Histórias à Sexta!


Armamar-Lamego, 02 de setembro de 1954

Manuel conhece os sinais como ninguém e adivinhou que a mãe engravidara novamente ainda muito antes de o próprio pai o saber. Manuel conhecia cada cantinho do corpo da mãe, acostumado que estava a dormir no seu colo ou na sua cama.

Notara que a anca alargara e a mãe ficara mais inchada e mais sensível aos seus beijinhos e ao seu toque. Tal como acontecera quando engravidara de Luisinha, porque da Dália já não se lembrava bem. A mãe, que o acordava sempre com uma canção, nos últimos dias chamava-o apenas pelo nome e até com algum despreendimento.

Mas o maior sinal de todos era que a mãe se encontrava doente. De manhã não comia, alegando indisposição e qualquer cheiro diferente a fazia ficar ourada e com necessidade de se sentar, tal era a sensação de enjoo.

As tarefas habituais do dia-dia custavam-lhe muito mais do que o costume e Manuel soube, porque a sua cumplicidade com a mãe assim o permitia, que esperava outro irmãozinho. Sabia que a mãe não vivia bem as gravidezes, e suspeitava até, que a mãe não gostasse muito de ter filhos.

Manuel reagiu como reagira antes, fazendo de conta que não dera pelas alterações de humor da mãe mas adivinhando que não tardaria nada o pai andasse pela casa radiante com mais um herdeiro.

A Manuel, a existência dos irmãos, não afetava muito. Sabia que para a mãe, ele seria sempre o predileto e o mais amado. E gostava da ideia de ter irmãos pequeninos, a quem ensinar a vida e que o seguissem como um exemplo.

A ideia de um outro bebé lá em casa chegava mesmo a dar-lhe uma certa alegria e ia entretido nesses pensamentos enquanto caminhava para a sacristia, onde deveria ser instruído pelo padre Vaz sobre as funções de um acólito.

O caminho entre a sua casa e a igreja ainda era longo, constituído por subidas e descidas, e Manuel passava pelos terrenos dos pais de vários amiguinhos seus.

Encontrava alguns pelo caminho que, apesar de ainda pequenos, já iniciavam a labuta do campo junto dos pais. Manuel acenava a todos, pais e filhos, e por vezes parava para conversar um bocadinho. Manuel gostava de conversar, fosse qual fosse o assunto. Gostava de falar da escola, das brincadeiras, das irmãs, dos amigos, do tempo ou da colheita.

Os amigos gostavam do seu despretensiosíssimo e da sua simplicidade, da forma simpática como falava, dos bons modos, do riso fácil. Todos elogiavam a Joaquim o filho que tinha mas todos sabiam que Manuel tinha o feitio da mãe e que era a Maria Clara que se devia o mérito da boa educação e do bom trato do filho.

Manuel seguia o seu caminho contente porque gostava da igreja e de aprender coisas novas. Gostava da escola, da professora, de ler e de motivar pessoas. Para ele, ser acólito era uma aventura nova, a oportunidade de privar de perto com Jesus e lhe perguntar, face a face, os mistérios da vida. Manuel era um espírito livre, as convenções da época não o afetavam muito, e não era criança de grandes crises existenciais. Mas, como toda a gente, tinha as suas dúvidas.

A mãe ensinara-lhe uma oração para dizer todas as noites e sabia que a mãe gostava muito da Nossa Senhora dos Remédios, a quem entregava os filhos com a mesma confiança com que se procura um médico. Manuel dizia a breve oração sempre que se deitava, “Pai do Céu, toma conta de nós todos, do pai, da mãezinha, da Dália e da Luisinha, guia-nos com o teu amor e sabedoria, e ajuda-nos a crescer. Obrigada. Ámen”, mais por hábito do que por fé.

Claro que acreditava em Jesus mas a sua vida corria bem, despreocupada, e não havia motivos para pensar que não seria sempre assim. Então porque estar a incomodar Jesus e a fazer pedidos?

Manuel avistava já a igreja e alegrou-se por estar a chegar. A sua tarde seria passada aqui e Manuel devia estar atento para não falar mais do que devia. O padre Vaz tinha jeito para o levar na conversa e se não se pusesse a pau, não tardaria a contar ao padre que a mãe esperava novamente um irmãozinho.

Manuel gostava dos rituais religiosos, de participar na missa, dos santos, e do padre Vaz, que considerava um velho engraçado e bem-disposto. No fim da missa, todos os domingos, o padre Vaz, chamava Manuel à parte, na sacristia, fazia-lhe uma festa na cabeça, e dava-lhe um rebuçado embrulhado em papel verde. E Manuel apreciava este gesto simples, gostava de se saber amado, e participava com devoção e atenção em todas missas.

Nos dias de festa, os avós montavam uma pequena tenda onde vendiam carnes e doces e Manuel aprendeu com eles a arte de vender com verdade e afinco. Associava a venda de produtos às festas religiosas e aproveitava sempre para vender por fora, a um tostão cada, uns santinhos que discretamente usurpava na sacristia.

No seu entender, não havia nada de mal nisso, porque os santinhos eram para ser distribuídos e eram, e se ele conseguia juntar alguns tostões com isso, tanto melhor. Era seu objetivo juntar algum dinheiro para oferecer uma prenda à mãe quando o novo irmãozinho nascesse.

Quando as irmãs nasceram, a mãe havia ficado muito combalida e tinha permanecido alguns dias de cama, com choro fácil, e Manuel sabia que com este novo bebé não seria diferente. Assim, se a mãe recebesse um presente de que gostasse muito, poderia animar-se e ficar melhor!

Nada melhor então que a festa da Nossa Senhora dos Remédios onde Manuel aproveitava para ajudar os avós na venda de produtos, e que aqueles recompensavam sempre com cinco tostões. Esses cinco tostões mais os que amealhara com a venda dos santinhos daria um rico presente! 

A mãe ficaria muito, muito, muito feliz!!!!


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Sobre a Família




A família é um bem precioso. Cada vez valorizo mais o meu grupo de pessoas, os “meus” de sangue e afinidade. Somos todos tão diferentes e, no entanto, pertencemo-nos uns aos outros de forma tão inequívoca. Somos uma amálgama, uma salada de frutas, desde as da época às tropicais, despejadas dentro desta taça enorme que são o sangue e as conivências da vida, todos juntos numa comunhão que não se gere facilmente.

Somos muito poucos e não há crianças. Mas acompanham-nos os nossos antepassados e as suas histórias de força e coragem. Sentam-se connosco à mesa, comem da mesma comida, ouvimo-los tão claramente como se estivessem realmente ali e sentimos-lhes o cheiro a fresco e lavanda, sorrimos-lhes e eles retribuem com um aceno, e nesta companhia amena nunca nos sentimos perdidos. Quem tem raízes, nunca está sozinho.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Pão Caseiro


Nos últimos tempos, preocupo-me muito com a alimentação que fazemos aqui em casa e tenho investigado sobre como a melhorar.

Todos gostamos muito de pão. É dos alimentos que consumimos mais. Por norma, vamos variando, umas vezes compramos num hipermercado, outras vezes numa padaria local e, de vez em quando, compramos farinhas para fazer o pão na máquina do pão.

Recentemente um familiar começou a trabalhar numa padaria, como ajudante de padeiro, a aprender o ofício. E, bem, conta-nos cada coisa sobre a forma como o pão é confecionado, que simplesmente causa arrepios! Não só na forma como é confecionado mas na própria qualidade das farinhas com que são confecionados os pães. Só digo que preferia ter continuado a viver na ignorância…

Enfim, comecei então a investigar formas de fazer o pão em casa. Descobri aqui nas buscas pelos blogues as Farinhas Paulino Horta, uma empresa familiar que produz farinha própria com a maior qualidade possível. Pesquisei muito sobre esta empresa e a farinha é muito pura, sem aditivos, conservantes ou qualquer outro produto prejudicial à saúde. 

Contactei-os e fiquei a saber que enviam as encomendas por uma transportadora. Decidi então experimentar. Encomendei farinha de centeio, farinha de milho e fermento biológico. Foi tudo muito rápido, encomendei na segunda e na quarta-feira, já tinha as farinhas em casa. Vinham muito bem acondicionadas.




A primeira dificuldade foi como fazer o pão na máquina do pão, com esta farinha tão pura. Contactei então a D. Sara das Farinhas Paulino Horta, que é de uma simpatia e generosidade inigualável, que me ajudou imenso com dicas, receitas e sugestões.

Agora faço o meu próprio pão em casa, geralmente na máquina. Temos sempre pão fresco, delicioso e saudável, sem ser preciso ir comprar a lado nenhum!

Deixo aqui a minha receita preferida:

500g de farinha de centeio
500g de farinha de trigo
300ml de água morna
1 carteira de fermento biológico
Sal qb

- Aquecer água até ficar morna (só morna, porque água quente mata o fermento) e colocar na máquina;
- Juntar numa tigela farinha de centeio, farinha de trigo, sal e fermento e envolver/misturar bem com a mão (primeiro deverá envolver o sal e depois o fermento, porque os dois juntos não funcionam);
- Colocar a mistura dentro da máquina, em cima da água morna;
- Escolher na máquina um programa específico para pão de centeio (caso não tenha, escolha um programa para pão de trigo integral).

As medidas da farinha e da água podem variar. Eu utilizo estas porque é exatamente a quantidade que eu preciso. Mas pode ser adicionado mais.





Fica a sugestão! Eu estou muito satisfeita e aconselho vivamente!