Ana e Maria são irmãs muito próximas. Não tiveram mais
nenhum irmão e dividiram a infância entre atenções uma à outra e brincadeiras
em conjunto.
Tiveram uma infância serena e feliz e uma adolescência
sem complicações ou desassossegos. Faziam companhia uma à outra, liam juntas,
cozinhavam os pratos favoritos, mimavam os pais.
Nenhuma quis casar. Gostavam da vida simples que
levavam, sem maridos e filhos, zangas ou canseiras. E viveram a vida adulta
juntas, na casa dos pais.
Já idosas, ambas temiam a morte. Mais por se perderem
uma à outra do que por medo do outro lado. Combinaram então que a primeira que
partisse, viria cá abaixo (partindo do pressuposto que existiria céu) contar à
outra o que acontecia depois da morte.
Uma combinação pretexto para que a morte não as
separasse. Mais do que qualquer curiosidade pelo outro mundo.
Ana partiu primeiro. E Maria vagueava pela casa sempre
à espera que a irmã lhe aparecesse. Ana demorou muito a vir mas num dia de
junho com muito sol, surgiu a Maria na cozinha, junto à máquina do café.
Maria, radiante de alegria, abraçou a irmã. Trocaram
beijos e afetos. E, por fim, mais por dever do que por interesse, Maria
perguntou: "Então, Ana, como é do outro lado?"
E Ana respondeu: "Tudo o que comi, nada vi. Tudo
o que dei, lá encontrei".
Excelente desfecho e a mensagem para lá de importante!
ResponderExcluirMuito bom.
Beijocas
Tão verdade, adorei!!!
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