sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Histórias à Sexta!


Ana e Maria são irmãs muito próximas. Não tiveram mais nenhum irmão e dividiram a infância entre atenções uma à outra e brincadeiras em conjunto.

Tiveram uma infância serena e feliz e uma adolescência sem complicações ou desassossegos. Faziam companhia uma à outra, liam juntas, cozinhavam os pratos favoritos, mimavam os pais.

Nenhuma quis casar. Gostavam da vida simples que levavam, sem maridos e filhos, zangas ou canseiras. E viveram a vida adulta juntas, na casa dos pais.

Já idosas, ambas temiam a morte. Mais por se perderem uma à outra do que por medo do outro lado. Combinaram então que a primeira que partisse, viria cá abaixo (partindo do pressuposto que existiria céu) contar à outra o que acontecia depois da morte.

Uma combinação pretexto para que a morte não as separasse. Mais do que qualquer curiosidade pelo outro mundo.

Ana partiu primeiro. E Maria vagueava pela casa sempre à espera que a irmã lhe aparecesse. Ana demorou muito a vir mas num dia de junho com muito sol, surgiu a Maria na cozinha, junto à máquina do café.

Maria, radiante de alegria, abraçou a irmã. Trocaram beijos e afetos. E, por fim, mais por dever do que por interesse, Maria perguntou: "Então, Ana, como é do outro lado?"

E Ana respondeu: "Tudo o que comi, nada vi. Tudo o que dei, lá encontrei".


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