terça-feira, 2 de abril de 2019

Até sempre!




Tive sempre uma vida serena e fácil. A filha mais nova de dois filhos mais velhos. A neta mais nova. A sobrinha e afilhada mais nova. A mais nova de todos os primos. A menina da família, protegida, amada, para quem não havia obstáculos.

À medida que fui crescendo, e após uma infância doce, apercebi-me que as coisas não eram sempre simples, que as contrariedades fazem parte da rotina diária, e que os outros não são dóceis nem bons nem fáceis.

Desde 2017, que a vida me tem vindo a ensinar isso de forma acutilante. Pela primeira vez, senti na pele a maldade humana na sua forma mais cruel. Tenho aprendido que a vida é sinónimo de sofrimento e que a leveza que trazia da infância, não passa de uma ilusão temporária, a que só os mais felizardos têm acesso. 

Se 2018 foi um ano difícil, nada me preparava para o início de 2019. No dia 24 de fevereiro, partiu o meu padrinho, enquanto dormia. Tinha 67 anos e foi sempre o melhor pai do mundo! Tenho pai, felizmente. Mas o meu padrinho era a referência masculina da minha vida. Não há dia nenhum de todos os dias da minha vida, em que eu não tivesse o meu padrinho por perto. Velou-me a infância. Protegeu-me na adolescência. Deu-me todos os conselhos possíveis na entrada da idade adulta. Fazia parte do meu dia-a-dia com a sua boa disposição, a sua presença constante e firme e a sua solidariedade sem limites.

Para além de meu padrinho, era meu tio, meu amigo e meu vizinho. Uma âncora. Um abrigo. Um porto seguro. Uma casa. Era dele a "Casa do Pátio" que dá o título a este blogue. Precisei de muito tempo para conseguir vir aqui ao blogue escrever umas linhas. Continuo desanimada e triste. Desamparada e sozinha. Mas a fase da revolta já passou. Ficou só a saudade imensa que sinto a todos os minutos, a sua ausência que dói de forma dilacerante.

Continuo a tentar estabelecer uma nova rotina enquanto amparo a viúva (sua companheira de todos os dias há mais de 50 anos), o filho (o biológico, porque o meu padrinho foi pai de muita gente, eu incluída) e restante família. Não sei como vamos todos sobreviver sem ele. Como nos vamos reerguer e juntar as peças novamente.

Dizem-me que é um dia de cada vez. Que daqui a uns tempos, começa a melhorar. Mas eu não acredito. Ainda o ouço e o vejo quando menos espero. Lembro-me da comida que gostava, dos seus jogos do Benfica, da sua generosidade ilimitada.

Refugio-me nos livros, como sempre. Comecei a ler sobre as experiências de quase morte, na tentativa de encontrar algum conforto. Mas como encontrar a paz quando acompanho diariamente a minha tia, que não sabe mais como viver sem o seu amor e a sua companhia de meio século?

Espero continuar a vir aqui novamente. Com regularidade. Espero ter forças para isso.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Sobre a fatura da luz...




Quando se trata de política, manifesto-me muito pouco. Principalmente porque sou apartidária e não me identifico com nenhuma ideologia nem à esquerda nem à direita.

Sempre me interessei muito pela atualidade. Quem gosta de história como eu, aprecia especialmente a história que se está a construir no presente, um pouco por todo o mundo. Consigo distanciar-me o suficiente para analisar os acontecimentos "de fora" e manter-me atenta aos jogos sociais e políticos que vão acontecendo por esse mundo.

Observo tudo muito atentamente sem me considerar mais de um lado, ou mais do outro. Identifico-me com ideologias de ambos os lados. Critico tantas coisas dos dois lados também.

Contudo, nos últimos tempos, tenho dado por mim mais interventiva. Em conversas em família. Ou com amigos. Hoje enquanto analisava a fatura da luz, decidi-me a escrever este post.

Sou cliente da EDP e, tal como todos os portugueses, não ando nada satisfeita com o que pago ao final do mês. Somos duas pessoas em casa. Saímos às 8h da manhã e chegamos sensivelmente às 18h30. É impossível gastarmos de luz o que a fatura acusa todos os meses. Este assunto andava a aborrecer-me e este fim-de-semana sentei-me com calma a analisar a fatura.

Então, para além da luz propriamente dita e gasta, pago o seguinte:

- O imposto DGEG - da Direção Geral de Energia e Geologia

- O imposto IEC - Imposto Especial de Consumo (que não sei bem para que serve).

- A Contribuição Audiovisual (por um canal e uma estação de rádio que não vejo/ouço e pela qual já pago à TV Cabo!).

- O imposto CIEJ - Custos de Interesse Económico e Geral (!?)

- E sobre todos estes impostos, acresce o IVA a 23%. 

- O IVA a 23% acresce também ao valor efetivo da luz que propriamente gasto.

Não vou comentar o preço do KWH. Que é absolutamente absurdo.

Nem vou comentar os impostos que pagamos mensalmente com a nossa fatura.

Cada um tirará as conclusões que quiser.

Eu só deixo ficar aqui uma nota: temos 230 deputados na Assembleia que custam anualmente aos contribuintes mais de 100 milhões. Temos cerca de 30 deputados no Parlamento Europeu, que custam outro tanto.

Como diria Sophia, "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos calar."

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Histórias à Sexta!


O Padre Avelino tem setenta anos. Há mais de quarenta que percorre o interior do país para levar a salvação às almas. Faz centenas de quilómetros todas as semanas, de aldeia em aldeia, para fazer batizados, casamentos, funerais, extremas unções e, muitas vezes, espantar os espíritos que atormentam pessoas de bem. 

Encara o sacerdócio como uma missão e não como um dever. Acredita que pode chegar às pessoas e mudar-lhes a vida, levando-as a encontrar o caminho do Bem.

Sabe falar com elas, apaziguá-las, dar-lhes bons conselhos, mediar conflitos entre vizinhos, brincar com crianças, e conhece ainda muito sobre medicina, sabendo os segredos das ervas. A todos acode, sem deixar ninguém de fora.

De seu, não tem nada. Nem casa, nem carro, nem bens. Apenas dois fatos, duas camisas e um par de sapatos. Duas mudas de roupa interior. Dorme em casa das pessoas a quem acode, muitas vezes em algumas pensões, e não raras vezes, na rua. Come o que lhe dão. Bebe água das fontes. Não é exigente.

Mais que o apelo da igreja, o Padre Avelino sente o apelo do Outro. Interessa-lhe mais o homem mundano do que as lides da igreja. Muitos apelidam-no de Santo. Avelino encolhe os ombros com um sorriso, e nada diz. Nunca negou que tem contacto direto com o além. E é frequente acontecerem pequenos milagres, quando está por perto.

Certo dia, apanhou o comboio para se dirigir a uma terreola. Não comprou bilhete porque não tinha dinheiro. Dinheiro era coisa que nunca lhe interessou. Ia a meio do caminho quando o revisor apareceu e, não tendo como pagar, o Padre foi expulso do comboio. Já na rua, Avelino anunciava, "se eu não for, o comboio também não vai", e a verdade é que o motorista não conseguiu voltar a fazer o comboio andar. Ficou parado na estação, nem para um lado nem para o outro. Até que uma senhora, reconhecendo o Padre Avelino, avisa que se querem que o comboio ande, o padre têm de levar. Já sem saber o que fazerem e perante o protesto dos passageiros, o revisor e motorista, deixam o Padre entrar novamente no comboio. O motorista prega novamente fundo, e o comboio arranca sem aparente dificuldade.

Há vários acontecimentos como este na vida do Padre Avelino. Nas aldeias, todos lhe conhecem a fama. Mas o Padre não confirma nem desmente. Vive a sua vida com a mesma simplicidade de sempre, sem manias ou caprichos. Fala diretamente com Deus. Não precisa de nenhum colega para intermediar. Há muito tempo que não cumpre nada do que a diocese lhe manda. Faz como bem entende. Por norma, e apesar de ser um deles, não gosta de padres. Muito menos de bispos e afins. Aprecia mais o contacto com a Natureza do que as paredes de uma igreja. Não tem nada contra a Bíblia. Mas entende que o seu Deus é mais generoso e brincalhão do que aquela retrata.

Já não se fazem pessoas como o Padre Avelino. Quando ele morrer, cá em baixo vão sentir a sua falta. Não a falta de um homem da igreja. Nem a falta de um santo. Mas a falta de um amigo. Não há maior tesouro do que o de ter um amigo.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

De Receitas e Não Só...




Gosto muito de cozinhar.

Desde criança que a minha avó nos reunia (a mim, à minha irmã e aos meus primos) à volta do fogão. Juntos fazíamos um bocadinho de tudo, desde doces a salgados, a compotas, molhos e bebidas.

Os meus avós eram pessoas do campo, muito simples e práticas. Tinham um pequeno quintal que o meu avô cuidava com muito desvelo, e alguns animais também. Do que o quintal dava, a minha avó aproveitava tudo. E inventava muitas receitas, que eram criadas de acordo com os ingredientes que ela tinha em casa.

Em casa da nossa avó, a cozinha e o quintal eram o nosso centro, o nosso céu, à volta dos quais, tudo girava. Acontecia sempre que a avó nunca repetia receitas. Simplesmente porque como inventava tudo no momento, mais tarde não se lembrava já como fizera, para voltar a fazer. Se gostávamos muito de um bolo, já sabíamos que esse era único e especial. A avó já não saberia fazer igual outra vez.

Os meus avós não sabiam ler nem escrever. Nunca andaram na escola. Por isso, não se apontavam receitas. Não se estudavam poções em livros. Aprendia-se com a experiência da vida diária e com as mães e as avós.

A minha irmã, que era a mais velha de nós todos, e por isso a primeira a entrar na escola, mal aprendeu a ler e a escrever, começou a apontar, em cadernos coloridos, todas as receitas da avó. Nos anos seguintes, fomos acumulando um manancial de preciosidades da avó Micas. Com a ajuda da produção do quintal do avô Sousa.

Conservamos esses cadernos até hoje. A maioria das receitas já sabemos fazer de cor. Outras ainda consultamos. A muitas, já fizemos adaptações. Todos adoramos cozinhar. Todos inventamos na cozinha. Em nossas casas, a receita de hoje nunca mais se repete. Não sabemos fazer igual novamente.

Mantemos todos o amor ao quintal. O quintal ainda se mantém cultivado e tratado. Todos nos abastecemos do que ele dá. 

A vida consegue ser muito bela quando a mantemos simples. A avó Micas e o avô Sousa, onde quer que estejam, estão a sorrir-nos. Tenho a certeza!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Sobre um Grande Amor...


Faz dois anos em maio que o Romeu chegou a nossa casa. Trouxemo-lo num impulso, após o termos visto bebé, junto da mãe.

Uns olhos cativantes, um pelo amarelo macio, e uma beleza que toca, levaram-nos a decidir ficar com ele, logo à primeira vista.

Sem pensar em mais nada nem medir as consequências.

Assim que pegamos nele ao colo (pela primeira vez) soltou um gemido contrariado e espreguiçou-se na nossa mão (era tão pequenino que cabia na palma de uma mão). Veio a miar pelo caminho todo até chegar a casa. Não parou um segundo. Hoje sabemos que detesta andar de carro. Na altura, pensávamos que era saudades da mãe.

Assim que entramos dentro de casa, e o pousamos no chão, passeou livremente pelas divisões, cheirou tudo muito bem, observou cada recanto com ar curioso. Muito caladinho e muito senhor de si. Experimentou a areia que tínhamos adquirido pelo caminho. Finalmente, subiu para o nosso colo, aconchegou-se, e dormiu um soninho descansado.

Sempre gostei de animais e sempre tive animais em casa. Já tinha tido gatos antes, um papagaio também, mas a morte deles é sempre tão dolorosa, que havíamos decidido, há muito tempo, não termos mais nenhum animal doméstico. 

É precisamente quando fazemos planos e tomamos decisões, que a vida nos troca as voltas, e vem ditar exatamente o contrário. Numa visita a casa de uns amigos, conhecemos os pais do Romeu, o Romeu e os seus três irmãozinhos. Mas foi do Romeu que gostámos logo. É daquelas coisas que não se sabe explicar. Sente-se e pronto.

Agora cá em casa, manda o Romeu. Adaptaram-se hábitos e rotinas em função dele. E adquiriram-se novos também.

Hoje chegar a casa, depois de um dia de trabalho, é uma felicidade: temos sempre o Romeu à porta, à nossa espera. Enrosca-se nas nossas pernas, rebola-se no chão, cheira-nos, lambe-nos as mãos. Tão bom uma receção assim após os dias difíceis dos trabalhos de hoje!

E enquanto andamos pela casa, o Romeu segue-nos, se vamos para o quarto, ele vai atrás de nós. Se vamos cozinhar, ele roça-se nas nossas pernas enquanto girámos pelo balcão da cozinha, e se até vamos ao quarto de banho, ele aninha-se aos nossos pés.

Não sei muita coisa sobre o amor. Sei que sou amada e que amo as "minhas" pessoas. Que é um amor forte e seguro e invencível. Sei também que um animal pode ser tão ou mais importante que uma pessoa. Sei que o Romeu é parte da família. Sei também que ele é um grande amor.





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Histórias à Sexta!


Ana e Maria são irmãs muito próximas. Não tiveram mais nenhum irmão e dividiram a infância entre atenções uma à outra e brincadeiras em conjunto.

Tiveram uma infância serena e feliz e uma adolescência sem complicações ou desassossegos. Faziam companhia uma à outra, liam juntas, cozinhavam os pratos favoritos, mimavam os pais.

Nenhuma quis casar. Gostavam da vida simples que levavam, sem maridos e filhos, zangas ou canseiras. E viveram a vida adulta juntas, na casa dos pais.

Já idosas, ambas temiam a morte. Mais por se perderem uma à outra do que por medo do outro lado. Combinaram então que a primeira que partisse, viria cá abaixo (partindo do pressuposto que existiria céu) contar à outra o que acontecia depois da morte.

Uma combinação pretexto para que a morte não as separasse. Mais do que qualquer curiosidade pelo outro mundo.

Ana partiu primeiro. E Maria vagueava pela casa sempre à espera que a irmã lhe aparecesse. Ana demorou muito a vir mas num dia de junho com muito sol, surgiu a Maria na cozinha, junto à máquina do café.

Maria, radiante de alegria, abraçou a irmã. Trocaram beijos e afetos. E, por fim, mais por dever do que por interesse, Maria perguntou: "Então, Ana, como é do outro lado?"

E Ana respondeu: "Tudo o que comi, nada vi. Tudo o que dei, lá encontrei".


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Vida Organizada






Gosto muito de organização.

Ser uma filha organizada, metódica e disciplinada, de dois pais que são o inverso de tudo isto, trouxe-me uma infância e adolescência muito atribulada. Entre dois mundos opostos, fui formando a minha personalidade, consegui ter a real perceção entre o certo e o errado, e encontrar um meio termo.

Hoje não sou de extremos, em nenhuma área da minha vida. Mas continuo a apreciar as coisas no seu sítio, os ambientes onde cada um sabe com o que contar, sem melodramas quando o inesperado acontece.

Faço listas de tudo. Procuro organizar e aproveitar o meu tempo da melhor maneira que consigo. Tenho muitos interesses, gosto de muitas coisas, e de muitas coisas diferentes, por isso obrigo-me a fazer listas de tudo, a dividir por categorias, a elencar prioridades.

Não gosto de me dispersar muito. Mas aprecio muito os momentos calmos e serenos quando os consigo ter. Aí desligo de tudo, das listas, dos problemas, das prioridades. Aí não há organização. Sou só eu e os meus pensamentos. Onde me tento ouvir, perceber o que sinto, tentar saber quem sou.

Valorizo muito a organização interna. Ter gavetas no cérebro, arrumadas, e que posso abrir e fechar de acordo com a minha conveniência. Saber o que sinto. Saber o que sinto e por quem. Distinguir medo de angústia. Alegria de felicidade. Razão de coração.

Ter uma vida organizada, por dentro e por fora, traz-me a serenidade que eu preciso para os sobressaltos do dia-a-dia.

E vocês, como se organizam?

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A minha alegre casinha...






A minha casa é o meu refúgio. É o único sítio do mundo onde me sinto bem, em paz, com a maior sensação de pertença que jamais senti.


No fim de um dia de trabalho, quando as horas se estendem por um tempo que não se consegue medir entre telefonemas, pessoas que vão e vêm, chefes que mandam e desmandam, prazos, pressões, pessoas a berrar e a buzinar no trânsito, supermercados com filas de gente na caixa, no fim de um dia destes, entro em casa, mergulho no silêncio e encontro a paz.

Quando morrer vou sentir falta da minha casa. Penso que é do que vou sentir mais falta. Não vai ser da comida nem das viagens, nem sequer dos livros. É do meu espaço seguro que vou sentir falta, das suas paredes protetoras, do seu cheiro, dos espaços amplos que sei percorrer de olhos fechados, dos barulhos que reconheço mesmo que outros se lhes sobreponham.

Penso que o mais triste de morrer é não poder mais estar na minha casa. De me sentar no sofá, a ouvir a Rosie Thomas. De me chegar ao balcão da cozinha e fazer um arroz de cabrito. De regar as minhas orquídeas. De me sentar na cama a ler os meus livros. 

Sim, vou sentir muito a falta da minha casa...


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Histórias à Sexta!


Dizem que os homens gostam mais que uma mulher ao mesmo tempo. Dizem mesmo que os homens traem com facilidade e que todos os homens já traíram as suas companheiras pelo menos uma vez na vida.

Eu sou homem e tendo a concordar. Não sei bem explicar o que nos leva a fazer o que fazemos, penso que seja algo a ver com a nossa natureza, mais animal que racional.

Não quer dizer que não amemos uma mulher. Claro que amamos! E amamos de verdade, com todo o nosso ser e a nossa atenção. Dedicamos-lhe tempo, queremos trata-la como uma princesa, somos todos dela. Mas a verdade é que dura pouco tempo. Passada a fase da paixão, em que tudo na mulher é considerado avassalador, brilhante e um desafio, o desejo esmorece. Não quer dizer que tenha terminado o amor e o interesse. Mas tornou-se enfadonho. E os homens gostam de um bom desafio, de ter alguma coisa porque lutar e fazer birra.

É como um brinquedo para uma criança. A criança deseja muito o brinquedo, faz tudo para convencer os pais a dar-lho. Depois de o ter, dedica-se alguns dias a ele, passa todo o seu tempo a brincar com aquele brinquedo que tanto queria, mas depois farta-se e quer um brinquedo novo, mais moderno, diferente, mais desafiante. Porque do brinquedo antigo já conhece tudo.

Não consigo explicar esta característica do sexo masculino a não ser da nossa incapacidade natural para evoluirmos no sentido da maturidade plena. O homem é naturalmente pouco evoluído emocionalmente e não consegue ultrapassar essa característica por mais que tente.

Vejam o meu caso: tenho sessenta anos e conto com quatro casamentos, seis filhos e um punhado de relações amorosas. Fui feliz com todas as mulheres que tive, amei-as de verdade, com todas as minhas forças, e com tudo de mim. Não sei amar de outra forma.

Se pensar bem, ainda as amo, penso em todas elas quase todos os dias. Há dias em que gostava de ter a minha primeira mulher ao meu lado, para logo a seguir dar comigo a pensar que se tivesse a primeira comigo, ia sentir falta da terceira. E assim sucessivamente. A minha filha mais velha diz-me que devia enumerar as mulheres todas que tive na vida, de 1 a 100 (é ironia dela!), e escrever o que gostava da 3, da 15 ou da 20, porque lembrar-me dos nomes de todas já não é para a minha idade.

Casei pela primeira vez aos vinte e dois anos com uma colega da escola. Gostava verdadeiramente dela e pensei que fosse para sempre. Era leal, ternurenta, amável e apreciava a sua companhia. Estivemos casados dezoito anos e tivemos três filhos. Ao fim dos quinze anos de casamento, continuava a gostar dela mas já considerava a nossa vida muito desinteressante e previsível. Fui tendo algumas aventuras com colegas do trabalho e ia preenchendo vazios conforme podia. Acabei por gostar verdadeiramente de uma colega nova que entrou para o escritório, divorciei-me da minha mulher e casei com ela.

Era o paraíso! Uma nova vida pela frente, cheia de novidades e coisas novas para explorar! Estivemos juntos dez anos e tivemos dois filhos. O casamento terminou de mútuo acordo, sem conflitos nem mágoas.

Estive alguns meses sozinho, perdido na rotina do trabalho e das visitas aos meus filhos. Numa noite de jantar de Natal da empresa, conheci a minha terceira mulher. Apaixonamo-nos e casamos em menos de três meses! Fui verdadeiramente feliz! Do nosso casamento, nasceu o meu sexto filho, por quem sempre senti uma certa preferência, talvez por provar a minha virilidade já a meio da vida. Estivemos juntos pouco tempo, pouco mais de dois anos. A vida com fraldas e choro a leite entediou-me bastante. Quando era novo, os filhos eram uma novidade maravilhosa! Mas com mais de cinquenta, já não tinha paciência para a vida caseira, de noites sem dormir e de sopas passadas.

Nesta fase da minha vida, escolhi para minha quarta mulher, uma senhora da minha idade. Já tem os seus próprios filhos, por isso não se importa nada com os meus. É reservada na presença de outros mas audaz quando estamos sozinhos. Consegue ser meiga e firme com a mesma intensidade. Gosto sinceramente dela.

Mas ultimamente ando desassossegado novamente. Não sei que tenho. Já me aborrece esta vida um pouco monótona. Não sei se é dos filhos estarem crescidos. Se da reforma. Mas não me sinto satisfeito.

Tenho pensado ultimamente em me colocar novamente no mercado. Pode ser que com a quinta mulher, desta vez, acerte!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sobre as Prioridades...



Tenho aprendido a definir prioridades e a distinguir o que realmente importa do que é apenas supérfluo e absolutamente descartável.



Cada vez valorizo menos o trabalho (entenda-se o trabalho formal). Passamos demasiado tempo no nosso local de trabalho, em ambientes de grande tensão, stress, exigência e pressão. Vivi quinze anos nesse cenário, absorvida com o fazer mais e o fazer melhor.



Agora encaro o trabalho como o meu mal necessário. Relativizo mais. Respiro mais vezes fundo. Desvalorizo a maior parte das coisas. Digo muitas vezes não.



A minha prioridade são os meus e o tempo que passamos juntos, com qualidade, com afeto, com disponibilidade total.



As prioridades também se treinam e aprendem.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Sobre o que agradecer à Vida!


Todos os dias agradeço por ter a meu lado as “minhas pessoas”. Por me protegerem, apoiarem e amarem incondicionalmente. Agradeço muitas vezes ao longo do dia, interiormente, por amar e ser amada de forma tão avassaladora, tão profunda e tão intacta.



Não sei bem a quem agradeço, se à Vida, se a um Deus, se ao Universo. Seja quem for, deu-me a maior bênção do Mundo: amar e ser amada. Não podemos pedir mais da vida do que a experiência de viver o AMOR.



Venha o que vier, a Vida já valeu a pena!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ainda sobre o Natal...


Por altura do natal, escrevi aqui sobre as prendas que organizei e preparei para a família.



Organizei uns cabazes de comer para os tios, como habitualmente. Mas para os meus primos, optei por fazer diferente. Em vez de oferecer algo para comer, preparei uns cabazes de “coisas” úteis que eles pudessem manter durante o ano.



Fiz um cabaz por casal e não individualmente (já tinha feito o mesmo com os cabazes de comer). Fui guardando ao longo do ano as caixas de cartão dos livros da WOOK e foram estas caixas a base/cesto de cada cabaz.



Forrei cada caixa com ráfia bege e ráfia de cor. Por cima, coloquei de um lado o presente da Mulher: uma caneca e uma écharpe. Do outro lado, coloquei o presente do Homem: uma caneca e umas meias.



No meio, entre as canecas e os acessórios, coloquei saquetas de chãs diferentes, que comprei no Lidl e que sei que todos apreciam. Chã de frutos vermelhos, de laranja e gengibre, de limão e menta, etc. Também no meio, coloquei um pequeno presépio de feltro, feito à mão por mim e pela minha irmã.



Por baixo da ráfia, quase escondido, coloquei livros. Um para cada um. Aqui optei por oferecer livros que sei que eles gostam, garantidamente. Para uns, escolhi o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago (autor que os meus primos de Lisboa apreciam muito), para outros optei por “O Autenticador” de William M. Valtos, por abordar o tema das experiências quase morte, e saber que os meus primos da Póvoa do Varzim gostam de livros mais profundos e que trabalhem a espiritualidade.



E ofereci outros livros mas sempre tendo em conta o gosto das pessoas a quem ia oferecer e não tanto os meus gostos pessoais (nestes exemplos, adoro ambos os livros!).



Os cabazes fizeram muito sucesso e os meus primos gostaram muito. Fico muito satisfeita com este feedback.



Eu gosto de oferecer prendas segundo o gosto das pessoas a quem vou oferecer. E não segundo os meus gostos pessoais. E vocês?



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Organização da papelada - parte 2


Organizar a papelada da casa e da família toda, exige uma organização disciplinada e constante, de forma a que não se falhe nenhum prazo.


Já me organizei de diferentes maneiras e todos os anos adapto ou modifico alguma coisa. Neste momento, faço assim:



- Tenho uma capa de argolas larga para cada elemento da família.



- A capa tem um conjunto de seis separadores, numerados de um a seis. No início da capa, arquivo uma folha A4 com o respetivo Índice.



- Cada separador tem o seguinte:



1 – Documentos pessoais (códigos do cartão de cidadão e senhas de acesso aos vários portais que utilizo – finanças, segurança social, etc.) de cada indivíduo. Criei também um e-mail para cada um, ao qual só eu tenho acesso e que serve exclusivamente para guardar, mandar e receber informação relacionada com os documentos que eu organizo. Guardo neste separador o endereço eletrónico e respetiva password.



2 – Documentos relativos ao IRS. Aqui guardo pouca coisa. Apenas as declarações das entidades laborais ou outras referentes ao IRS. Guardo aqui também o comprovativo da submissão do IRS no portal das Finanças. As declarações e as notas de liquidação guardo numa pasta no e-mail de cada um. As faturas, cada um guarda as suas consigo. Só quando vou validar ao e-fatura e tenho alguma dúvida é que lhes peço para consultar.



3 – Documentos relativos aos automóveis: recibos dos seguros, comprovativos dos pagamentos do IUC, recibos dos pagamentos das prestações quando eles ainda não estão pagos, e uma tabela com os prazos para liquidar todas estas contas, nomeadamente a inspeção anual. Muitos destes recibos já pedi para serem enviados por e-mail, de forma que a maior parte deles estão guardados em pastas no e-mail de cada um.



4 – Documentos relativos à casa: neste separador guardo muito pouca coisa, apenas os contratos de arrendamento e os documentos do crédito habitação (como o IMI; por exemplo), e uma ou outra informação que seja necessário guardar sobre a casa. As faturas (água, luz, televisão, internet, telemóvel, etc) vêm todas para os endereços eletrónicos e são guardadas em pastas nos e-mails.



5 – Documentos relativos a seguros: apólices e condições particulares dos seguros de vida, da casa, do recheio da casa, da empregada, de saúde, etc. Todos os anos sento-me à secretária a rever todos estes seguros (e dos automóveis também) e a negociar novas condições. Ajuda muito ter um mediador de seguros igual para toda a gente e que trabalha com várias seguradoras em simultâneo. Todos os anos faço alterações e poupo dinheiro. Todos os anos revejo também as fidelizações das contas da casa (separador 4), e vejo onde poupar, principalmente com os telemóveis e com a televisão e internet.



6 – Aqui guardo as tabelas que faço onde coloco os prazos de todos os pagamentos e fidelizações, e onde vou dando baixa de tudo. Também coloco aqui as tabelas com os dias em que são descontados os débitos diretos.



E, de papel, é tudo. O resto guardo nos e-mails em pastas.



E, vocês, como se organizam?






sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Histórias à sexta!


Acho que descobri a política em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria.

O meu Avô, ainda adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. 

O meu Pai era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias, ensinando-me, a mim e aos meus irmãos, a alegria de viver ao ar livre, a amar o sol e o verão, e a entender que devíamos ajudar, respeitar e lutar por amor ao Outro.

A minha Mãe lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos.

A minha Tia, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros.

Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

No primeiro ano da Faculdade, conheci o meu marido, também ele um apaixonado pelo Outro e pelo Bem Comum, e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os valores da justiça e da solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho em tudo o que faço, escrevo, transmito. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem da luta, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem da morte.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

Gostei de trabalhar no serviço público. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Sempre numa lógica de paridade, e nunca numa perspetiva “de cima para baixo”.

Servi o meu país, a minha família, os Outros, o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, participei em debates, criei movimentos associativos, fui voluntária, parti para África como missionária três vezes.

Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida.

Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Tenho cancro e neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus para não ter medo.

Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Como um robot nos ajuda nas tarefas de casa


Tenho uma amiga que quando chega às 9h ao trabalho, já fez imensas limpezas em casa.

Ela não tem ninguém que a ajude nas limpezas e diz que não gosta de as fazer ao fim de semana. Assim, todos os dias, limpa alguma coisa, geralmente uma divisão por dia, para no final da semana ter a casa limpa e arrumada.

Ainda não são 8h30 da manhã, e já está no what’s up (temos um grupo e vamos falando várias vezes ao longo do dia) a dizer-me que já fez as camas todas de lavado; outro dia diz que já fez duas máquinas de roupa e lavou os wc; outro dia chega e diz que limpou o pó à casa toda e deixou o aspirador a aspirar…etc.

Sempre me intrigou o facto dela sair de casa para o trabalho e deixar o aspirador a aspirar sozinho. Quando chega a casa já está tudo aspirado!

Em minha casa, o aspirador é antiguinho, e só aspira se andarmos com ele às costas, acima e abaixo!! Tenho uma prima que, uma vez por semana, me vem ajudar com a limpeza da casa e geralmente é ela quem me aspira.

A minha prima está com vontade de se reformar e eu não queria mais ninguém cá em casa a fazer-me a limpeza. Estava preocupada como havia de fazer quando a minha prima me deixasse de vez, para o seu merecido descanso. E o que mais me preocupava era precisamente aspirar a casa.

Limpar a cozinha, os quartos-de-banho, os quartos, nada me preocupa. Mas aspirar consumia-me.

Quando a minha amiga me falou que deixava o aspirador a trabalhar sozinho, quis logo saber mais pormenores! Ela tem um robot aspirador que programa e aspira sozinho, desviando-se dos obstáculos e até subindo para cima das carpetes que não são muito altas.

Assim, depois de muito pensar e pesquisar, decidi comprar um robot aspirador.
Optei pela marca Vileda porque é o que tem essa minha amiga (ela está muito satisfeita porque a Vileda dá uma boa assistência).

Em boa hora tomei esta decisão! Posso dizer que é uma excelente ajuda e já não sabia passar sem ele! Utilizo-o todos os dias na cozinha: ligo-o sempre no fim de jantar e ligo-o um dia por semana no andar dos quartos e noutro dia no piso da sala e escritório.

Raramente uso a vassoura (dentro de casa) e arrumei de vez o aspirador velhinho e tradicional que tinha.

A minha prima também ainda se mantém mas quando ela quiser ir embora, a minha vida vai ficar mais facilitada com esta ajuda!




segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Organizar os armários da cozinha


Um dos meus objetivos para o ano de 2019 é organizar a minha casa, de forma profunda e geral. Não vou seguir nenhum modelo. Nem ler livros sobre organização da casa.
Prefiro fazer as coisas à minha medida, de acordo com os nossos gostos, rotinas, hábitos, maneiras de ser.
Tenho me dedicado à organização do escritório (já aqui falei sobre isso e espero escrever ainda mais a respeito da forma como organizo a minha papelada) mas este fim-de-semana, fui obrigada a “dar um jeito” à cozinha.
Ainda não está como eu quero. Tenho ainda de pensar como fazer imensa coisa. Quero substituir as minhas formas de bolos, já gastas e enferrujadas, de tão antiguinhas que são.
Quero ainda investir nalguns tachos e em serviços de louça, que adoro e não tenho nenhum adequado às festas de família.
Preciso substituir o faqueiro, já baço e antigo. E substituir os tupperwares! Velhos, sem tampas, desirmanados.
Mas tudo isto leva tempo. E, para já, precisava apenas de organizar o que já tenho.
1º passo – Retirar
O primeiro passo é sempre retirar tudo para fora . Assim podemos ter a noção do que temos e do espaço existente.
2º passo – Destralhar
Depois, destralhamos, isto é, retiramos o que está mais. O objetivo é ficar só com o que precisamos, com o que usamos e com o que mais gostamos.
3º passo – Organizar
Organizar é colocar a coisa certa no lugar certo. Para isso temos te ter em atenção as nossas necessidades, os nossos hábitos e o espaço que temos.
Para organizar, normalmente, necessitamos de alguns acessórios de organização (caixas sobretudo…). Tenho sempre em casa material de organização, caixas, tabuleiros, sacas de congelação, cestos, etc. Vou comprando à medida que encontro. Depois, consoante preciso, tenho sempre.
4º passo – Planear
Por último, é preciso estabelecer hábitos e rotinas que nos ajudem a manter essa organização…
Para mim, é a parte mais difícil porque com a azáfama do dia à dia, por vezes, fazemos as coisas à pressa…

Na organização da cozinha (feita este fim-de-semana), tive em conta:

 

- Ter na cozinha só o que se utiliza!


-  Dividir a cozinha por zonas: tupperwares , panos de cozinha, talheres, pratos e copos, frascos, formas … etc.

- Todos em casa têm de adquirir os hábitos de arrumar tudo no lugar definido. De nada serve termos tudo arrumadinho e organizado, se depois há um elemento da casa que teima em colocar a caneca da água no armário de cima só porque é alto.

Aproveitei também para limpar tudo muito bem, dentro e fora dos armários. E foi este o resultado final.